MEDOS

25-06-2021

O medo, como condição terrestre, tem o poder de activar o lado mais primitivo de cada ser. 

Ao longo da minha vida cescri acreditando numa dualidade entre o bem e o mal, e talvez por isso eu sempre tive medo do "mal", até que, ao compreender que essa crença me fazia negar a minha própria escuridão, tive de render, por várias vezes, à condição de quem eu realmente sou.

Neste processo de desenvolvimento pessoal, comecei também a facilitar o trabalho dos Desenhos d'Alma. Nessas sessões, por meio da conexão com a estrela da alma de cada pessoa, compreendi que não existe bem ou mal. A nossa essência, enquanto seres-humanos, prende-se numa dualidade entre os aspectos mais primitivos (necessidade de sobreviver) e os aspetos mais evolutivos (necessidade de transcender), que manifestam a tal batalha entre o "mal" e o "bem", entre a escuridão e a luz, se assim quisermos chamar.

Em março de 2021 compreendi que o meu real medo era de transcender a minha condição humana, e tornar-me parte do todo, não sendo necessária a minha presença, em matéria, aqui na Terra. Claro, que esta ideia é levada a um extremo, mas no fundo, o que esta mensagem me trouxe foi uma introspeção para que eu pudesse compreender que afinal eu ainda tenho medo da Luz. Eu tinha medo de me libertar da minha condição de sobrevivência.

Acredito que muitas vezes, ao entrar naquilo que chamam de espiritualidade, começamos a olhar de frente para os nossos aspectos, e por vezes é difícil, pois somos seres complexos, formados por várias partes, como o corpo, a mente e a alma, onde uma questão, pode gerar um processo que deve ser trabalhado em cada uma delas.

Vou partilhar um exemplo que facilmente todos irão compreender. Ontem entrei numa livraria e percebi que a abundância é um dos temas que mais se repete nos best sellers de livros. Como é que se pode trabalhar este tema em cada uma das partes do ser?

Na minha opinião, devemos começar pela mente, pois é aí que criamos padrões que nos podem limitar. A mente é programada por meio de afirmações, e dos melhores exercícios para trabalhar a mente é questionar a nós mesmos. Neste caso as perguntas chaves são: Eu permito-me receber? Eu sinto-me dign@? Eu reconheço o meu valor?

Depois destas questões temos de afirmar em voz alta as afirmações para integrar uma nova realidade em nós. Aqui vamos estar a trabalhar processos de alma e a reprogramar a mente, uma vez que começamos a activar as memórias passadas de todos os momentos em que não fomos ou não permitimos a abundância em nós. A alma costuma guardar as bolsas emocionais que nos ligam a processos que possam ter marcado a nossa relação vibracional com a abundância. Por exemplo, quando uma pessoa abdica do seu valor pessoal para estar ao serviço do outro, normalmente numa frequência de carência, acaba por se afastar da vibração da sua abundância, pois fez uma anulação do seu potencial.

Por fim, vem o físico, que, no caso da abundância, se vai reflectir nas acções, ou seja, permitindo que as coisas cheguem a ti, permitindo afirmar o teu valor, permitindo ter consciência do que pedes, do que pensas, e de como valorizas tudo aquilo que rodeias. Porque a abundância é um fluxo de energia que está ligado a várias energias: vitalidade, amor próprio, e a valores (como alimentos, dinheiro...).

Esta técnica pode ser usada para qualquer processo que querias trabalhar internamente em ti.

Claro que para isto é necessária alguma disciplina, e bastante paciência, porque às vezes a vida faz-nos repetir processos que irão manifestar também diferentes áreas da nossa vida.

Por este motivo, sempre que possível, eu recomendo que a pessoa possa ser acompanhada por diferentes terapeutas que nos podem apoiar a estruturar a nossa condição de SER. A psicologia, as terapias complementares, bem como uma boa massagem ou exercício físico, são formas de chegar a cada parte de nós. O mais importante aqui, não desistas de ti, não tenhas medo de nada. Avança com sabedoria. Pede ajuda e usufrui da condição humana com alegria.