MESTRES

06-09-2021

Faz pouco mais de um ano que comecei a seguir o trabalho de Matias de Stefano. Descobri o seu trabalho de uma forma estranha, e num período bastante desafiante. Na altura, para tentar elevar a minha vibração, tentava usar o YouTube para ouvir músicas da infância que me traziam alegria, mas havia esta voz irritante que constantemente interrompia o meu fluxo através de uma publicidade onde se ouvia "o meu nome é Matias de Stefano e o meu propósito é recordar".

E, no meio de tanto ouvir esse discurso, gerei de certa forma um ódio e repulsa, que parecia atrair ainda mais a sua presença por entre as minhas playlists do YouTube. Mas, como estava a partilhar, isto foi num período desafiante da minha vida onde eu estava desesperada à procurava de ajuda porque estava a colocar toda a minha vida em causa, desacreditando a minha sensibilidade, os meus dons, criatividade, tudo. Ao procurar ajuda deparei-me com várias portas fechada por vários terapeutas e amigos, até que uma pessoa, por quem tenho um grande carinho, me envia a informação do trabalho que Matias ia começar a disponibilizar e que diariamente, durante um ano, iria de certa forma apoiar o processo evolutivo individual/colectivo. Foi em desespero, mas engoli o orgulho e assumi o compromisso (onde superei a minha tendência de sagi de fugir).

Quando comecei a acompanhar o trabalho dia a dia compreendi que partilhavamos muitos pontos em comum, desde a história de vida como também (por vezes) o modo de pensar, e estas semelhanças facilitaram em parte o meu mergulho em áreas de vida e gatilhos que nem sabia que existiam em mim. Este trabalho de 370 dias ajudou-me a organizar e a restruturar tudo aquilo que sou, tornando mais claro o meu caminho, mas também aquilo que me rodeia.

Acredito que existem pessoas que nos podem inspirar a fazer este caminho da essência, mas que ninguém pode caminhar por nós. E muitas vezes a vida dá-nos as oportunidades que precisamos, mas que nem sempre são as que queremos, e por isso resistimos, bloqueando o fluxo.

E fazendo um filtro neste "ódio", eu tinha plena consciência que nestas partilhas haviam chaves que me iam ajudar a desbloquear o meu processo evolutivo, e por isso embarquei numa viagem em dezembro de 2020 ao Egito para poder ir mais fundo. Mesmo no fim desse encontro, devido a várias memórias e questões que estavam a ser despertadas em mim, todo este ódio veio à superfície da minha pele, e tal como uma criança fazendo birras, tudo o queria era poder bater em Matias.

Passado quase 9 meses, compreendi (finalmente) que esta raiva mais não era que uma projeção da repulsa que nutria de forma inconsciente para comigo mesma. Este mestre projectava directamente o meu reflexo, mas eu não queria ver, e por isso, nesse espelho, eu apenas via os seus olhos, criando um véu que não me permitia ver a mim mesma. Mas agora consigo ver, e por isso mesmo tenho mais uma vez a oportunidade de ir ao encontro de mim mesma, sem necessidade de projectar as culpas nos sistemas que espelham o nosso interior. Porque assim, resgatamos para nós o poder de viver, libertando os outros de culpas. Só nós temos o poder de projectar condicionamentos naquilo que nos rodeia. É no equilíbrio e na neutralidade que encontramos espaço para manifestar a plenitude de SER, libertando os mestres, tornando-nos no mestre de nós mesmos.

Gratidão por estes 370 dias que ao fim de um mês continuam a dar frutos de aprendizagem interior.

(Para quem visitar o túmulo de Santiago (em Espanha) pode encontrar a citação de João Paulo II "Eu, bispo de Roma e Pastor da Igreja Universal, desde Santiago te lanço, velha Europa, um grito cheio de amor. VOLTA A ENCONTRAR-TE, SÊ TU MESMA.")

YOSOY