MORTE

03-05-2021

Este será talvez um dos assuntos do qual mais tentamos fugir.

Porém sinto que a morte tem vários significados, e quando o conseguimos ressignificar, este assunto pode manifestar-se de uma forma mais neutral nas nossas vidas, e podemos compreender a resistência da morte por meio dos nossos processos de vida.

Quando nasci, o céu desenhou um mapa que indicava uma vida repleta de transformações. Ao longo desta vida, fui então convidada a morrer, diversas vezes. Não de forma física, mas de forma simbólica, tocando aspetos emocionais e também aspectos que iriam apoiar a construção do meu EU. Claro que nem sempre estes processos foram simples. Muitas vezes entrei em crises de revolta com a própria vida porque sentia que não queria mudar, ou porque simplesmente sentia que já tinha passado por muitas situações e naquele momento apenas queria descansar um pouco.

Mas o acto de evoluir pede que realmente haja uma acção, e se não somos nós a agir, então, o Universo age por nós. Para não levar tombos, aprendi a erguer-me e a trabalhar a minha força interior (que às vezes se camufla de padrão de fuga) de forma a que possa dar os saltos que a vida me pede.

Já partilhei com alguns de vós que neste momento encontro-me novamente neste processo de transformação. Sinto que preciso de matar uma vez mais o meu ego, ou melhor, uma capa que ainda transporto comigo e que teima em querer ter ou fazer coisas, não se permitindo a simplesmente viver.

Por vezes, quando os nossos olhos alcançam a montanha onde temos de chegar, simplesmente desejamos estar lá, e não nos permitimos fazer o caminho. Mas a realidade é que fazer o caminho é que nos permitimos viver. O nosso propósito não é sermos estafetas activos, e usando a brincadeira das montanhas, não é suposto andar a colocar bandeiras em todas elas. O nosso propósito terreno é viver, é experimentar, é ir ao encontro, é também perdermo-nos, pois só assim cumprimos a Jornada de SER, explorando cada oportunidade de manifestar o nosso SER.

Este fim-de-semana, muitas partes de mim morreram, e como qualquer conflito, senti agitação, o desassossego tocou a alma, mas o meu coração pulsa de vitalidade, porque sei que quero viver a melhor versão de mim mesma a cada dia.

Como posso lidar com estes processos de transformação? No meu caso uso a meditação activa (para poder contornar as defesas mentais, porque a nossa mente adora rejeitar aquilo que não lhe convém). Então, procuro fazer uma caminhada que fisicamente seja mais exigente e começo a questionar-me quais os padrões que me estão a condicionar naquele momento. Gosto também de olhar para a casa e para o meu carro, para procurar sinais de acumulação, ou avarias, de forma a compreender os sistemas que me rodeiam e tentar compreender o que eles me estão a querer dizer. E depois, escrevo tudo o que surgiu num papel e resumo o meu bloqueio. No fim queimo esse papel e afirmo que me permito renascer, abraçando uma nova forma de agir, pensar ou de fazer as coisas, firmando os meus valores, e a minha vontade de viver.

Desta forma sinto que permito a morte das partes mais antigas do meu SER, de forma a apoiar a transformação interna que, no fundo, nos permite renascer numa nova consciência, ou numa nova forma de viver.