MUXIA

11-09-2021

Faz hoje uma semana que estava a caminhar em direção a Muxia.

Quando faço um caminho de Santiago, sinto necessidade de o terminar em Finisterra, mas pela primeira vez, segui a direção de Muxia, de forma a poder integrar todas as aprendizagens do caminho que fiz em Maio.

Porém, como sempre, nunca sabemos o que o caminho tem para nos revelar

Saí de Santiago de Compostela acompanhada pela minha doce Pia, uma amiga recente, mas que a minha alma a reconhece de longa data. Combinamos de caminhar juntas por dois dias, e depois, faríamos a separação física, escolhendo duas rotas diferentes no caminho.

A energia de Pia é tão doce e confortante, que os primeiros dias foram cheios de partilhas e sentia uma imensa alegria por estar de volta a este caminho sagrado de Ser. Quando nos separámos, eu deixei de encontrar pessoas pelo caminho. Era apenas eu, e a natureza, e por isso, eu não podia fugir das mensagens que chegavam directamente para apoiar a expansão de consciência do meu processo pessoal. Nesse dia, os passos foram lentos, pois o peso da responsabilidade pesava na mochila, sempre que eu via um pouco mais além, uma vez que era nítido tudo aquilo que tem de ficar para trás.

Todas as minhas zonas de conforto foram expostas, e compreendi uma vez mais os novos gatilhos que tinha criado para não me permitir assumir o compromisso que fiz em dezembro de 2020. Por esse motivo, o caminho até Muxia foi intenso. E ao chegar à vila, sabia, passo a passo, cada lugar que precisava de ir, escutar, sentir e integrar.

Muita da informação está ainda a ser integrada, mas sinto que aos poucos ela tem de ir saindo. Pois naquele dia, apesar de me ter entregado às "tarefas" físicas que me eram pedidas, eu tentei com a minha mente negar alguma da informação. Até que.... o telefone toca e do outro lado do oceano e do hemisfério, eu recebo uma mensagem que me fez quebrar, e entregar completamente a tudo o que estava a sentir. O véu caiu e mais uma vez tive oportunidade de ver além do presente, além dos condicionamentos.... porque a rede pode prender ou conectar, e naquele dia, eu compreendi que trabalhar a rede como conexão será o que vai permitir que sejamos um todo novamente. 

Nem sempre consigo ter a humildade necessária para aceitar o meu processo pessoal. às vezes sinto o peso da responsabilidade como se carregasse um barco às costas. Mas o simples movimento de entregar, e mergulhar no oceano gelado, permite soltar todo esse peso, criando a acção necessária para que a transformação se manifeste neste plano.

A Alma chorou em reconhecimento que o sofrimento é um caminho que não nos permite transcender. Ao libertar o corpo da dor, temos possibilidade de o amar e enraizar o nosso aspecto mais Divino nesta Terra que nos oferece tantas oportunidade de bem-estar, de prazer, de beleza... O nosso corpo físico é o veículo que nos permite estar e ser aqui, nesta dimensão terrena, por isso, cuida do teu corpo, ama-te, reconhece esse Templo Sagrado que acolhe a luz e o brilho da tua Alma, para que, através do teu coração, possas irradiar a expressão mais Divina aqui e agora.