O GUARDIÃO

12-05-2021

Hoje um esquilo morreu, deixando-me a mensagem que vos trago hoje.

©RUSSELL CHEYNE
©RUSSELL CHEYNE

O dia começou cedo, com uma caminhada com amigas, onde começámos a discutir o valor individual de cada ser. Muitas vezes as nossas conversas abordam a praticidade das questões desde o corpo físico (neste caso ligada à acção, pela sobrevivência), juntamente com as questões emocionais (podemos aqui identificar como o merecimento) e depois também ao plano mental (que nos vai permitir sabotar ou co-criar). Estes 3 pilares: corpo, alma e mente são fundamentais para alcançar o equilíbrio em qualquer questão na nossa vida. Por exemplo, se a minha mente quer co-criar um salário de 2000€ por mês, mas a nível emocional uma parte de mim não se valoriza e acha que não sou digna, só isto já vai impedir a materialização dessa co-criação, ou, também pode resultar na materialização de um trabalho com uma carga física acrescida, onde irei anular-me em função desse esforço físico/mental, para que seja possível alcançar esse valor.

Por isso, o "segredo" de qualquer tipo de co-criação é poder ser coerente e unificar as ações de cada uma destas três dimensões, ou seja: projectar com a mente, ser coerente no plano emocional e depois agir de acordo com os valores internos.

No seguimento deste caminho, já no meu regresso a casa, dou conta de um pequeno ser, já sem vida, no meio da estrada. Ia tão focada no meu destino, que quis ignorar a morte daquele esquilo. A pressa, não me estava a permitir conectar-me com aquela essência, e eu, não me estava a permitir ser eu mesma. Por isso, parei uns bons metros à frente, fiz inversão de marcha e parei perto daquele pequeno ser.

Tinha umas folhas de papel artesanal no carro, e agarrando numa, dirigi-me junto daquele esquilo. Vários carros passaram, em excesso de velocidade, e tal como eu, não respeitaram aquele pequeno ser.

E mesmo com o trânsito a circular, eu coloquei-me no centro da estrada e ao agarrar naquele corpo ainda quente, chorei, porque senti a anulação inconsciente que tantas vezes faço de mim, e daquilo que me rodeia.

Por entre a natureza que sustenta este lugar, deixei o pequeno guardião junto de uma Oliveira, colhi as flores mais bonitas, ainda com o cheiro do orvalho, e junto dele fiz uma pequena cerimónia honrando a dádiva da vida, de cada ciclo e também daquele ser.

E aí entendi: tu és o fruto da tua ação. Se ignoras o teu poder de agir, de tomar uma decisão, vais passar pela vida em automático. Tudo o que vives, é fruto das prioridades que tu mesmo crias. Por isso, escolhe, de forma consciente como queres viver. Usa o teu potencial e o teu poder para realmente co-criares aquilo que queres para a tua vida, segundo a tua vontade, e não a dos outros.

Identifica quais os pontos mais frágeis em ti, e onde é que não estás a ser coerente.

Dessa forma, podes libertar os padrões contraditórios, permitindo a manifestação da tua plenitude.