VALORIZAÇÃO

12-11-2021

Este será talvez dos artigos mais complexos e difíceis de escrever. Ontem a informação começou a manifestar-se às 11 da manhã e levei todo o dia a tentar integrar e perceber a melhor forma de passar a mensagem, mas a noite foi dura, pois percebi que eu estava a evitar de escrever. Com alguns amigos já tinha falado de questões que cruzam este sentir sempre que vou a alguns lugares de Portugal, mas ontem, tudo surgiu tão explicito, que percebi que é hora de partilhar esta mensagem.

Para contextualizar: eu ontem comecei cedo a preparar-me para o alinhamento do 11:11, sentia alguma estranheza porque acompanho o projecto YOSOY e foi dada uma tarefa de podermos conectar com a energia do Egipto, e de meditar junto de objectos que foram saqueados de lá ou de elementos que representem a cultura Egípcia. Porém, eu não sentia que aquela fosse a minha missão. Mas para não condicionar com a mente, afirmei que estava disponível para o que fosse necessário, e assim, preparei-me para este alinhamento. E quando me conectei, uma das primeiras coisas que surgiu, foi que as histórias muitas vezes são mal contadas. Questionei internamente se era sobre a história do Egipto, mas mostraram-me a história de Portugal, mais especificamente, um evento recente: o período do Estado Novo.

Comecei a tentar brincar dizendo, "mas isto agora é política vs espiritualidade?" ao que me responderam "não, são histórias que provocam emoções e alimentam crenças".

Eu não vivi durante o período do Estado Novo, mas, curiosamente fiz uma tese de Mestrado onde compreendi que Portugal teve os anos de ouro de arte pública durante esse período, e inclusive, foi quando surgiu a primeira escultura abstracta portuguesa, adquirida pelo Estado, para integração de um espaço público.

Tudo isto eram peças que ia encontrando que me faziam colocar em causa discursos extremistas de artistas que foram exilados ou que foram impedidos de expressar a sua linguagem. E não estou com isto a desvalorizar estas vivencias, mas.... como os extremos nos levam a um eterno conflito, gosto de procurar o meio termo, ou o caminho do meio.

E na realidade, quando penso na dureza que devia ser aquele tempo, onde a minha avó contava que por vezes havia apenas uma sardinha para dividir por toda a família e onde batatas brancas assadas eram o doce da infância, compreendo que se vivia esta escassez, que não sei se por "culpa" de um Estado ou em resultado da II Guerra Mundial que se viveu às portas do nosso território.

E isto foi sempre uma dúvida que me inquietava....

Porque raio se atribuiu uma culpa tão grande a um Estado que ressuscitou heróis, criou símbolos nacionais, valorizava os ofícios, preservava as aldeias mais históricas e ainda foi responsável por trazer uma identidade arquitetónica e escultórica com uma monumentalidade invulgar para aquilo que era a realidade Portuguesa?

Mas aquilo que mais me inquieta e que mais era reforçado ontem durante este alinhamento é: porque raio não valorizamos aquilo que foi bom? Porque é que não damos continuidade ao que realmente era positivo? Porque motivo decidimos entregar o nosso ouro e destruir tanto património imaterial à CEE e mais tarde à Europa? De onde vem esta vontade de ser como os outros lá fora se não reconhecemos o nosso valor interno, nem conseguimos ver as ferramentas que nos foram deixadas pelos nossos ancestrais.

Acredito que para haver uma evolução é necessário compreender as nossas origens, porque facilmente fugimos do que somos, acreditando que algo externo é melhor do que nós. E assim iniciamos um processo de negação da nossa identidade. Por isso é importante clarificar a história, trazendo coerência a tudo o que foi. E assim, podemos finalmente ser, no presente, a melhor versão de nós mesmos.

Em resumo, a mensagem de ontem era sobre a valorização.

Que crenças tens em ti que não permitem reconhecer aquilo que tens, aquilo que és, ou o que podes ser?