VOZ

02-11-2021

Tenho estado em silêncio, porque na realidade temo que a memória daquilo que vivi este fim-de-semana desapareça e se funda num nevoeiro distante que apenas emerge nos dias mais frios. 

Procurei encontrar-me e como boa sagitariana que sou, fui ao encontro do vazio, e sem saber o que me esperava, encontrei, num mundo encantado por terras de Enxara, um clã que me deu voz, expressão, emoção e uma vivência que nunca tinha tido

Passado dois dias, sinto-me ainda com a emoção a rasgar a pele, porque na realidade entendi que nunca permiti dar voz ao que sou, sem esperar nada em troca.

E quando nada esperamos, tudo se manifesta, inclusive a memória das escolhas que fizemos no passado que nos moldaram a mente de forma a acreditar numa rejeição coletiva, quando na verdade, me esforcei tanto para que os outros me rejeitassem, porque eu não sabia falar a mesma língua. E todos nós sabemos, que quando falamos em "bugalhos", mas que do outro lado apenas chegam "alhos", existem dois caminhos muito fáceis de abraçar: o calar, ou o gritar. Porque a terceira via, a do equilíbrio, parece tantas vezes uma não opção.

Chegar a um entendimento requer uma entrega total. Uma exclusão de espectativas e de medos. Ser pleno é não ser nada e ser tudo. É ser uma tela em branco onde tudo se pode projetar. E através do processo consciente, podemos compreender tudo o que a nossa voz leva e trás de volta para nós mesmos.

E é nesse vaivém que nos tornamos um espelho universal, cujo grito interno forma uma sinfonia de sons, cores e formas, que podiam bailar apenas em harmonia. Mas sem caos não há ritmo, e sem ritmo não há dança. E na verdade, a beleza está nessa queda, que nos conduz às infinitas possibilidades de SER.

Gratidão a cada semente, mas em especial a ti Marta, por nos conduzires por uma viagem de ritmos e cores que nos levou a lugares tão bonitos, neste palco aberto pela Mónica.