A Chama Gémea

Já tinha partilhado nas redes sociais que, nesta última viagem ao Egipto, me apaixonei.

O meu coração de pedra afinal sente cenas…. E tem sido desafiador compreender os gatilhos que me fizeram fechar o meu coração há tantos anos atrás.

Na condição de criança, é muito fácil começarmos esse caminho de bloquear o que sentimos. Sempre que não nos permitimos SER, por medo, inseguranças, repreensão, necessidade de sobreviver, vamos colocando pedrinha a pedrinha, até formar uma muralha à volta do nosso chakra cardíaco, para que, esse muro, possa proteger a nossa essência.


E o mais bonito é que em 2020 me mostraram, também durante uma viagem, que eu tinha fechado esse coração há muitos séculos atrás devido a uma memória onde me senti responsável por perder o meu povo. A condição de culpa fez-me rejeitar, inconscientemente, as coisas boas, e por isso, mesmo tendo ouro na mão, muitas vezes não o reconhecia, ou reconhecendo, passava-o para outros, como se tivesse uma batata quente na mão.

Nessa viajem comecei a trabalhar o merecimento e o perdão sobre mim mesma, num processo lento, com atualizações pelos vários corpos que constituem o meu ser. “Amar e aceitar quem foste para recordares quem és”, era a grande tarefa.

Mas como me podia amar se sentia tanto ódio e me pressionava tanto para ser “perfeita”? Como me podia aceitar se me rejeitava?


Em consciência destas emoções, comecei a cortar o meu cabelo, primeiro com uma tesoura, e depois com a máquina… deixei cair as capas e as memórias que tinha de mim, e olhei-me nua ao espelho. Os meus olhos pareciam tão pequenos…. Mas quanto mais os olhava, mais o portal de abria. E enquanto viajava nesse portal que me conduzia à dimensão da alma, vi uma chama, que ardia sem queimar, e que começou a abrir-se, convertendo-se em duas pétalas, três, quatro…. Até que se transformou numa flor de seis pétalas iguais, de doze e de vinte e quatro. E o único som que se ouvia era: “Somos um, e tu és Alfa e Omega”.


Não entendia nada daquilo que me diziam, mas compreendia que aquela chama mostrava a conexão de todas as almas, e o reconhecimento de que somos todos um.


Cada alma e cada ser é um fractal dessa centelha Divina. Temos origem na mesma fonte, mas precisamos de ser diferentes para nos completarmos e também para gerar polaridade. É através do positivo e do negativo que geramos a pressão necessária para criar algo novo.

Somos todos almas gémeas que, em vários níveis de conexão, fizemos acordos de alma para ajudar a transcender a condição humana primitiva, tentando encontrar um caminho de evolução.


Cada um de nós está ligado por esse fio de consciência Divina, mas, as conexões emocionais, fazem com que nos embrulhemos numa confusão que não nos permite fluir. Porque? Da minha experiência pessoal, muitas vezes amamos o outro em busca do que queremos ser, ou ter. E esse “amor” é criado por uma projeção mental, que projecta cordas emocionais. E por isso acredito que podemos amar com a mente, ou com a nossa alma. E acreditem, é difícil explicar a diferença, mas o que vos posso dizer, é que quando existe um reconhecimento de alma, compreendemos que somos um, onde tudo pára. É um sentimento avassalador e confuso, porque nos tira o tapete do chão, e faz-te ir ao encontro aquela alma, mesmo quando não a queres ver, e acontecem cenas à filme onde o elevador te leva para um piso errado e as portas abrem diante desse ser, por mera coincidência… porque te ia procurar.


Como é que sei que esta conexão é de alma e não uma criação da minha mente? Porque a minha mente, desde a primeira revelação, está a tentar convencer-me que eu estou só a viver uma ilusão e que nada disto é real. A mente está a tentar proteger-me. Tem medo. E eu, quero amar, mas não sei como. Porque neste momento ainda não me amo o suficiente para me deixar levar numa história de amor. Enquanto não integrar cada uma das minhas partes, vou estar à procura da completude fora de mim, exigindo do outro aquilo que não tenho.


É por isso que sinto de fazer este caminho sozinha, em busca da minha chama gémea, que não está em alguém fora de mim, mas dentro.


Se procuras a tua chama gémea, convido-te também a fazer este trabalho de olhar para dentro. Quando conseguires ver-te projetada na chama ardente da tua alma, podes começar a olhar para fora, partilhando o teu amor e a tua luz com os demais.

Afinal de contas, somos todos um.

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