Glastonbury

Como partilhei no artigo anterior, jamais poderia esperar ou imaginar tudo aquilo que eu ia viver em Inglaterra.



Neste caminho para a consciência, sinto-me muito pequenina e com um grande caminho pela frente. Uma pessoa que me é especial diz-me muitas vezes “somos como bebés a gatinhar”, e como tal, é importante estar aberto a explorar, brincar, viver, usufruir da experiência… da vida.


E não falo nisto a nível conceptual, mas desde o ponto de vista prático. Desde o primeiro dia em Inglaterra andei de carrossel com a Doro, fizemos vídeos e fotos divertidas, corri que nem uma louca a dar piruetas depois de sair de Stonehenge…. Estava extremamente feliz, e seguia ainda mais animada por saber que íamos para Glastonbury encontrar mais pessoas do grupo água, e que teríamos oportunidade de nos encontrar ali, como família uma vez mais….


Tudo parecia magia, e não por Glastonbury ser um lugar mágico, mas porque eu me abri a viver essa magia, na pele.


No dia seguinte iniciamos o nosso tour pela vila, e tivemos a bênção de ter a Alexandra connosco, que nos guiava por vários lugares, uma vez que ela já havia estado ali.

A primeira paragem foi a pequena capela de Magdalena. Por mais que o jardim me atraísse com todas as suas cores e aromas, senti de entrar na capela e sentar-me num lugar específico. De olhos fechados era possível ver um túnel em espiral. Petra começa a cantar e inspirada por essa vibração, sigo a melodia que me leva a um espaço escuro de um azul profundo, onde se podiam ver umas estrelas pequeninas. Olho para cima e vejo a Mãe Divina que me diz “Estas rosas são perfeitas, mas se não murcharem, não teremos sementes. Cada ciclo é importante, e a mudança é o que permite a evolução, é o que abre a espiral da vida, que são duas espirais unidas por um mesmo eixo. Não te prendas ao sofrimento, entrega-me toda essa dor como se fossem espinhos, e deixa que deles possa brotar uma nova flor, e entrega-te à totalidade de quem és.”


Ao abrir os meus olhos, vejo um casal a entrar na capela de mão dada com um enorme bouquet de rosas. A mulher, como uma Madalena, ajoelha-se e entrega as suas orações e o seu perfume diante do altar. O homem, na sua verticalidade, susteve a energia para no fim a abraçar. Emocionada por tudo o que se estava a manifestar, detenho-me junto ao altar, acendo uma vela e reparo que a imagem de Maria Madalena tinha de um lado uma torre, do outro uma árvore que se movia com o vento e ainda uma garrafa na sua mão.

Saio para a rua, e parte do nosso grupo que tinha ficado no jardim, estava super animado porque naquele momento tinham recebido a notícia que pela primeira vez um crop circle mudou a sua forma durante a noite…. A mudança é um ciclo sem fim….


De seguida vamos ao encontro de mais uma irmã do grupo água que nos esperava com os seus filhotes, e sinto necessidade de fazer um vídeo em directo no instagram, mas não me reconhecia na imagem, olhava o meu reflexo com muita estranheza... algo havia mudado em mim.... mas não podia entender...


Seguimos a visita, por lojas, igrejas…. Permiti-me dar e receber colo. Cuidar e ser cuidada. Sentia um amor profundo por cada um daqueles seres que estava ali comigo, a revisitar aqueles lugares tão familiares para a alma.


Ao fim do dia subimos à Torre de Tor, onde nos íamos encontrar com mais família.

O sol estava a poucas horas de desaparecer no horizonte e podíamos ver o mar ao longe. Todos nos sentamos em contemplação e tudo o que eu sentia era uma profunda gratidão, por ver e sentir esta família junta, uma vez mais.


Passado uns momentos, o meu “hermanito” começa a tocar tambor juntamente com outras pessoas que estavam ali junto à torre. Enquanto dançava, sentia o movimento de um dragão por baixo dos meus pés que me pedia para dançar ao ritmo de forma a sintonizar o meu coração com o da Terra. E por instantes eu oscilava entre as camaras intra terrenas daquele lugar, e por entre os movimentos que se passavam à superfície. Uma vez mais, senti as serpentes subir pelo meu corpo e a criar um fluxo de energia, onde tive consciência de alguns bloqueios físicos. Pediram-me para voltar ali durante essa noite, antes do sol nascer.


Doro foi comigo, como sempre, esta alma irmã que desde a minha primeira viagem ao Egipto está comigo, dando-me força e incentivando-me a não ter medo de mim mesma.

Júpiter também nos acompanhou no seu namoro com a lua, guiando e iluminando o nosso caminho.


A escuridão activava os sentidos, e sabia que não estávamos sozinhas.

Além de algumas pessoas que dormitavam ali, havia uma centena de coelhos e alguns mestres guardiões…. Fiquei em silêncio, mas a mente estava muito activa, trazendo-me a imagem de um amigo que estava na Argentina. Eu sentia uma vontade enorme de partilhar aquela vivência com ele, como se uma parte dele pertencesse ali. E através das imagens e da música, permiti ser essa ponte, para conectar os dois naquele lugar.


No momento em que os primeiros raios de sol se levantam no horizonte, um falcão começa a defender-nos de um corvo, e estávamos tão fascinadas com aquela dança entre o sol e a noite, que pedi ao falcão uma pena. Levanto-me e qual o meu espanto quando vejo o meu presente, caído aos meus pés. Celebrei como uma criança, mas tive de conter a excitação para poder fazer um pequeno caminho à volta da torre como me estava a ser pedido. Nessa noite e manhã apenas fiz um reconhecimento daquele lugar e das saudades que ele me evocava, mas internamente, eu estava a preparar-me para receber um grande presente do universo, que me iria inspirar a conectar com mais partes de mim e também da história daquele lugar.


Essa noite foi também uma preparação para a visita ao Chalice Well.

E mais uma vez…. Essa outra história vai continuar num próximo artigo.

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