Os Guardiões de Muxia

O caminho para Muxia começou com alguma tensão. Adormeci, não fiz os meus exercícios, tomei o pequeno-almoço apressada.... Estava com medo de despertar um processo emocional, até que me dizem "não estás aqui para isso, foca-te na tua missão" e a verdade é que fui ajudada a manter esse foco e a fazer o caminho conectando com os animais, pessoas e plantas.

Dancei e cantei imenso. Até que, ao chegar a Muxia fui recebida por um dragão que desapareceu assim que entendeu que eu o via.

A emoção de chegar era grande e eu apenas conseguia cantar músicas ligadas à Mãe Divina.

Como cheguei muito mais cedo do que previsto, parei no Km0 e visitei o Santuário de Nossa Senhora da Barca. A voz de um dos guardiões diz-me "descalça-te, e entra no Mar". Ao que respondi: não preciso de entrar no mar, porque eu sou água. "O guardião espera-te lá em cima".

Subi o morro e fui ter novamente com um dragão. "Porque não tens medo daquilo que é feio? Porque é que não te assustas com a nossa presença e dimensão?" Não sei... mas sempre tive mais conforto na vossa presença do que na dos seres de luz. A luz nem sempre me deixa ver o que está por detrás, mas, a vossa manifestação permite-me ver além dos vossos olhos, e ir ao encontro da essência do vosso coração. "E através dos teus desenhos devolves essa beleza perdida para que as pessoas recordem novamente a nossa existência. Queres ver o que aconteceu aqui? Porque nos transformamos em pedras?" E nesse momento, mostram-me um cenário, onde gigantes e reptilianos trabalhavam em conjunto com uma mulher pequena de cabelos negros cuja capa fazia lembrar os contos célticos. Eles moviam pedras para criar abrigos e formas redondas para comunicar com as galáxias. Era um santuário de cura. Até que, o caos veio e os gigantes foram mortos porque não partilhavam a imortalidade com os humanos, os reptilianos foram dizimados por não terem coração, e a sacerdotisa converteu-se em vento.

"Se não acreditas nisto, vai ao mar, ainda podes ver o pe do gigante que correu para salvar a sacerdotisa. E se abrires o teu coração, podes chegar à sua cabeça, onde poderás despertar a sua consciência"

E assim fiz. Vibrei, cantei como uma mãe dando colo aos seus filhos, e por entre as rochas, mostraram-me a cabeça do guardião.

Chorei com ele, entreguei-lhe o meu amor e disse-lhe: já podes despertar.

"Ainda não. Precisamos de mais duas coisas. Volta ao por-do-sol, e na noite cerrada. Ainda não é tempo de despertar."


Parte II

"Consegues ver as embarcações no Mar?"

Sim! Mas porque se vão embora?

"Os humanos, na necessidade de experimentar o seu poder e expressão de semi-deuses, iniciaram uma guerra que levou muitos guardiões a perder a vida. E alguns, como têm essa missão de guardar a sabedoria divina, fugiram em busca de novos mundos para regressar quando fosse tempo. A projecção de revolta dos humanos fizeram com que os guardiões e os vários elementos que trabalhavam para trazer ordem e equilíbrio, fossem vistos como entidades da sombra que provocavam caos em vez de contribuir para o bem-estar geral. Assim, foi necessário que dentro do processo da humanidade, vocês se auto-destuissem para manter esse equilíbrio de forças, positivas e negativas. Mas, como a sabedoria das leis universais se perdeu, o mundo dos homens foi-se desagregando não só da sua essência, como da conexão com a Terra. Criando uma polaridade entre quem vive da matéria e quem apenas sonha com o espírito. Neste tempo de charneira, é necessário que o homem se conecte novamente com os elementos. Pois da nossa parte, podemos destruir este planeta e recomeçar a experiência humana desde outros lugares. Mas enquanto vocês existirem, a experiência segue na transformação e na ascensão do ser e também da sua condição emocional."

Então o que é suposto fazer?

"Nada. Contempla a beleza da vida, a beleza deste por do sol. E não esperes nada. Deixa-te ficar no silêncio e na contemplação. Para que quando chegue a hora, possas actuar em neutralidade".


Parte III

"Preparada?"

Agora? No meio da noite?

"Sim! Vamos"

E num pulso sou projectada para uma dimensão onde me mostravam através de imagens um ser que se movía na sua vida em círculos.

"O que vês?"

Um ser que está a mover-se pela vida mas a repetir histórias e padrões, mesmo que em áreas diferentes e com pessoas diferentes, ele não sai dali.

"Agora vamos revisitar a tua vida para que entendas melhor. O que vês?"

Oh, consigo ver os mesmos processos. As fugas que pareciam avanços de vida, mas que eram uma escapatória para não sentir e viver o processo. Uma busca pela dor....

"Qual a saída para esses labirintos onde as pessoas se perdem ao longo da vida e de vidas?"

Não sei....

"Então vamos lá!"

E nesse momento sou colocada na minha pele, vivendo uma situação e sendo novamente projectada para cima. Entendi que desde o ponto de vista 1:1 eu apenas via a situação que estava a acontecer à minha frente, mas, ao ser projectada para cima, para um plano diferente, consegui ver o plano total, tomando consciência do processo e também do caminho. Por isso respondi: é a consciência, a consciência é a chave para deixar de caminhar em círculos e abrir a vida em espirar!!!

"Assim é. E como queres caminhar a partir de hoje?"

Que seja nessa espiral de evolução ✨

"Temos um último pedido para ti. Para que sigas este caminho de recordar quem és, precisamos que vás às estrelas trazer algo para depositar nos círculos que te mostramos que representam esses portais de cura e conexão com as estrelas. Percorre a via láctea, e sente onde tens de parar e o que é necessário trazer, assim, o pó das estrelas pode novamente nutrir a Terra, para que novos guardiões possam não só despertar, mas também nascer."

Que assim seja 🤍

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